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segunda-feira, 20 de julho de 2009

Muita falação e pouca ação - Protesto "Ambiental"

Caminhando pelos centros comerciais, é muito fácil encontrar folhetos, cartazes, divulgações de eventos que se propõem a discutir sobre questões ambientais. São vários os sites, as entidades. Atualmente somos bombardeados por notícias de cunho ambiental. Vários assuntos e palavras foram criadas juntando apenas o sufixo "ambiental" e, a partir daí, já se pressupõe que determinados grupos ou organizações estão em dia com sua responsabilidade ambiental.
Mas o que se percebe é a apropriação do tema "meio ambinte" como mais uma fonte de negócios, sem que isso resulte em alguma mudança efetiva em prol da causa ambiental propriamente dita. Palestras são realizadas frequentemente, cobra-se um alto valor para paticipar, e em meio a tanta discussão, algumas empresas e entidades procuram apenas se promover. O meio ambiente proveu mais um sufixo para um novo mercado: o do 'Marketing Ambiental', onde imagem é tudo. Fazer uma palestra uma vez por mês sobre educação ambiental, plantar uma árvore aqui e ali, já é motivo para mostrar sua contribuição para a 'sustentabilidade'. Mas será que estas organizações de fato estão tomando atitudes para reverter o histórico de degradações ao meio, desde a produção até o pós-consumo?
É muita falação, muita promoção, e pouca ação.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Uma viagem para Angra dos Reis

Angra dos Reis é uma cidade que ficava no meu imaginário... Apareciam barcos, belas praias, enfim, um paraíso. Na virada do ano, aproveitei o feriado e comecei 2009 indo conhecer esse lugar que há muito passeava na minha mente.

No caminho existe muita natureza. Essa região do litoral sul carioca não é chamada de ‘Costa Verde’ à toa.


De repente, me deparo com uma construção totalmente destoante da paisagem: era a Usina nuclear de Angra, perto das praias mais bonitas, da mata atlântica ainda preservada... Ainda me pergunto o porquê de uma Usina nuclear ali, ou melhor, por que usina nuclear? Mas esse é assunto para um outro post, talvez.


Seguindo viagem, ao descer na rodoviária de Angra, confesso que a cidade que vi era um pouco diferente do que eu imaginava. A região é tomada por um grande porto, muitas embarcações, desde embarcações de carga até os barcos menores, que levam turistas para Ilha Grande. Dá para perceber que a cidade cresceu muito em direção ao porto, comprimida entre as encostas e a praia. Então fui procurar os pontos turísticos, que ficavam na direção de volta, indo no sentido da usina, por incrível que pareça!

Descemos numa das praias, mas não ficamos muito ali, decidimos caminhar um pouco, para ver se descobriríamos outros lugares. Realmente foi uma boa idéia, vejam que paisagens belíssimas!


Infelizmente não é possível chegar a todas elas. A maior parte das praias está cercada e loteada, impedindo o acesso. Mesmo a legislação brasileira dizendo que é garantido o acesso às praias (Lei 7661/88* Art. 10. As praias são bens públicos de uso comum do povo, sendo assegurado, sempre, livre e franco acesso a elas e ao mar, em qualquer direção e sentido),não é isso o que ocorre em Angra. Muitas vezes, tivemos que ver a praia assim, através de alambrados:


Para os moradores de fato, aqueles que não têm luxuosas casas de veraneio, mas que residem ali o ano inteiro, o acesso ao mar é prejudicado, e mesmo trafegar pelas ruas é difícil, não há calçadas em longos trechos da via que leva ao centro da cidade.


Por isso que foi boa a caminhada, deu para ver coisas de Angra que jamais poderia ver se tivesse ido por um pacote turístico fechado. O lado B de Angra me foi apresentado, isso não reduz as belezas do local, mas faz pensar uma série de outras coisas, desmistificar e cair na real. Isso reflete os contrastes sociais e a negligência com que as políticas ambientais são tratadas no Brasil.


* A Lei 7661/88 é uma Lei federal que institui o Plano Nacional de Gerenciamento Costeiro, versando sobre o parcelamento e uso do solo na região costeira do país.